segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Um Outro Alien




Em 1992, o diretor norte-americano David Fincher lançou sua apropriação – marcada por imaginário conservador e fatalista, no qual a criatura alienígena transformava-se em metáfora viva e direta da "peste" AIDS – da ficção científica, materializada na terceira parte da franquia iniciada por Ridley Scott, Alien3 (idem, 1992). Bem mais fraca que o filme original de Scott, a continuação de Fincher seria seguida por outra, igualmente inferior, de Jean-Pierre Jeunet, que sepultaria definitivamente a franquia. A imaginativa mescla, em moldes massivos, de narrativa de terror com elementos usuais de space opera do filme original – que contava com o design erótico e mecânico de H. R. Giger – não foi desenvolvida em nenhuma das continuações, que se limitaram ao exercício burocrático de repetir os pavorosos ambientes futuristas e decadentes, como um "castelo gótico espacial", do primeiro filme.

Contudo, um outro Alien quase aconteceu, contando com um artista do gabarito de Giger. Em seu blog, o arquiteto Lebbeus Woods – discípulo de Eero Saarinen e projetista de alguns ambientes para filmes como Os 12 Macacos (Twelve Monkeys, 1995) – conta como projetou alguns ambientes para o que seria a terceira continuação do filme, batizada Alien III. O filme seria dirigido por Vincent Ward, que declinaria de sua função de diretor passando o projeto para Fincher. A mudança de diretor resultou em uma mudança de concepção visual do filme, agora centrado na sombria representação de um planeta-presídio. Na visão original de Ward, a tenente Ripley chegaria a um planeta no qual viveria uma comunidade monástica, medieval, que havia rejeitado a tecnologia moderna. Segundo Woods, a versão de Ward estaria fortemente ancorada na cenografia, o que resultaria em um filme bem mais original que a versão vista nos cinemas. Os esboços, de fato, dão conta de um gótico orgânico, absorvido apenas indiretamente por Fincher em seu filme.

- Alien Past (postagem original, no blog de Lebbeus Woods).

Alcebiades Diniz Miguel

terça-feira, janeiro 27, 2009

Novos Títulos em DVD Fora de Catálogo – Novembro 2008-Janeiro 2009

FORA DE CATÁLOGO

Distr.

007 – Com 007 só se vive duas vezes

Fox

007 Contra Goldfinger

Fox

007 – Contra o satânico Dr. No

Fox

007 – Marcado para a morte

Fox

007 – Moscou contra 007

Fox

007 – O amanhã nunca morre – DVD Simples

Fox

007 – Os diamantes são eternos – DVD Simples

Fox

007 – Somente para seus olhos

Fox

007 – Um novo dia para morrer

Fox

007 – Viva e deixe morrer - Ultimate Edition

Fox

A excêntrica família de Antonia

Weekend

A Liga Extraordinária

Fox

Akira - Edição Especial 20 Anos (Widescreen)

Focus

Amor em 5 tempos

Imagem

Cabo do medo (DVD Duplo)

Universal

Cidade das mulheres

Versátil

Cleópatra (1963) (DVD Duplo)

Fox

Coleção A glória de meu pai / O castelo de minha mãe

Versátil

Coleção Alfred Hitchcock (Warner)

Warner

Crazy - Loucos de amor

Califórnia

Demolidor - O homem sem medo - Edição Especial (DVD Duplo) + Pôster de Tecido

Fox

Desafio à corrupção (DVD Duplo)

Fox

DOCTV - O poeta é um ente que lambe as palavras e se alucina (DVD-R)

Log On

Dogville

Califórnia

Duna - Versão Original Widescreen

Versátil

Entrando numa fria maior ainda

Paramount

Eu, Robô (DVD Duplo)

Fox

Flashdance - Edição Especial para Colecionador

Paramount

Francesco

Versátil

Grease - Nos tempos da brilhantina – Rock’in Edition - Jaqueta Rosa (DVD Duplo)

Paramount

Hamlet, vingança e tragédia

Imagem

Hammy totalmente irado + Shrek

Paramount

High School Musical 2 - Versão Estendida

Walt Disney

Jornada nas estrelas - A série clássica - 1ª Temporada

Paramount

Kagemusha – A sombra de um samurai

Fox

Lara Croft – Tomb Raider – Edição Especial

Paramount

Laura (DVD Duplo)

Fox

Legalmente loira 2

Fox

Metrópolis (2001) (DVD Duplo)

Sony

Monster – Desejo assassino.

Califórnia

O Atalante

Magnus Opus

O canhoneiro do Yang-Tsé

Fox

O ébrio – Edição Comemorativa de 60 Anos

Versátil

O Homem Urso

Califórnia

O império do besteirol contra-ataca

Imagem

O mais longo dos dias – Edição de Aniversário (DVD Duplo)

Fox

O mercador de Veneza

Califórnia

O poderoso chefão – The Coppola Restoration

Paramount

Os dez mandamentos (DVD Duplo)

Paramount

Paisà

Versátil

Punk Attitude (DVD Duplo)

Focus

Seleção Diretores: Woody Allen

Fox

Tora! Tora! Tora!

Fox

Um peixe chamado Wanda

Fox

Vítimas da tormenta

Versátil

Voando alto

Imagem


Luiz Nazario

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Construindo Memórias


A animação, desde seus distantes primórdios, sempre transmitiu tanto aos seus criadores quanto a seus espectadores uma curiosa sensação de liberdade diante do pesado mundo factual e prosaico, presente em outras formas de audiovisual. Assim, diante da crise de legitimidade de documentos em um mundo digitalizado, no qual informações reais mesclam-se com interpretações pessoais e pura e simples invenção que se pretende verdade verificável, a forma da animação surge como possibilidade de expressão subjetiva, mas historicamente válida, de pequenas e grandes tragédias e demais tétricos eventos históricos. Nada de novo no campo da possibilidade de representação, uma vez que a literatura, por exemplo, já comportava essa possibilidade; a diferença crucial ocorreu em outro campo de possibilidade: o da leitura e interpretação. Assim, subjetivando e restringindo o momento histórico sem ampliar a multidão de vozes que o caracterizam, a Arte, repentinamente, torna-se parceira da barbárie que, em primeiro momento, pretendia denunciar.

Talvez seja essa a grande encruzilhada na qual o filme de animação israelense Waltz With Bashir (2008) de Ari Folman se encontrou desde sua produção inicial. A animação causou frisson mundial, ganhando diversos prêmios em Israel e uma indicação para a Palma de Ouro em Cannes e uma provável indicação ao Oscar de melhor longa de animação, caso em que concorreria com filmes de grandes produtoras e imenso sucesso, como Wall-E (2008), da Pixar. Muitos críticos estabeleceram imediatos vínculos com a animação autobiográfica proveniente do Oriente Médio do ano passado, Persépolis (Persepolis, 2007) de Vincent Parronaud e Marjane Satrapi, apresentando as memórias da autora/protagonista e de sua infância em um Irã nos primórdios da Revolução Fundamentalista Islâmica. A diferença é que a visão extremamente subjetiva de Marjane Satrapi situa-se na esfera da vida cotidiana adestrada pelo totalitarismo integrista. Folman parte de um ponto muito mais complexo: a realidade da guerra e do esforço desesperado do Estado de Israel em sobreviver (diretamente); o resgate doloroso da memória, especialmente as terríveis e traumáticas imagens de atrocidade, que o trauma esconde nos recantos mais profundos da mente, embaralhados (indiretamente). Waltz with Bashir narra, a partir dos diversos pontos de vista de soldados israelenses, os acontecimentos no Líbano em 1982, ano da invasão daquele país por Israel, culminando com o massacre dos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, realizado pela falange cristã maronita. A subjetividade é total, lembrando a técnica de construção de documentário empregada no filme Corações e Mentes (Heart and Minds, 1974), de Peter Davis. Também é constante a parcialidade da abordagem: não sabemos bem quais as motivações de palestinos e libaneses, ou qual o significado da guerra. Talvez, o autor parta da idéia de que a guerra é um fenômeno irracional ou mesmo gratuito, uma arbitrariedade ordenada por autoridades despóticas (sempre israelenses). A ação, militar ou terrorista, de palestinos ou libaneses termina aparentemente como um gesto de defesa; a obra de suposto pacifismo termina por absolver um dos lados do conflito, estabelecendo uma crítica unilateral. A democracia em Israel permite essa liberalidade, mas a verdade histórica não se beneficia de tal abordagem.

Desde já, o tema favoreceria uma grande obra estética que, contudo, não acontece. A questão central do filme termina irresolvida: a memória instrospectiva acaba por ser resgatada, revelando imagens em vídeo e fotografia do massacre de Sabra e Chatila, evento no qual o autor estaria presente. Saltamos da rememoração individual para o registro coletivo, factual, sem qualquer aviso ou nuance. Tal salto é revelador de um projeto estético e também político de equivalência entre instâncias, ao menos em um dos lados, o israelense. A crítica dos erros políticos, dos conflitos desastrosos e das falhas militares do Estado de Israel é atividade necessária, imprescindível, mas culpabilizar todo o país, alinhavando toda e qualquer ação militar a "crime de guerra", direta ou indiretamente, é caluniador e injusto. Papel ao qual Waltz With Bashir, infelizmente, se presta.





Alcebiades Diniz Miguel

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Mundos Visionários, Animação Visionária


Tim Burton é conhecido pelo universo muito pessoal que cria em cada uma de suas produções, especialmente na sofisticação de animações como O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas, 1993) ou Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005). No momento, trabalha em sua versão de Alice in the Wonderland, que terá elementos live-action, stop motion e de animação computadorizada para exibição em 3D. No intervalo desse complexo trabalho que só ficará pronto em 2010, Burton uniu-se a outro adepto de um cinema fantástico calcado no maravilhamento pela imagem – embora dono de uma produção mais modesta e de um imaginário mais estereotipado –, Timur Bekmambetov, para produzir a versão longa-metragem do curta 9, de Shane Acker, indicado ao Oscar da categoria curta de animação em 2006.

A trama de 9 gira em torno de um mundo destruído por algum apocalipse, no qual um pequeno grupo de seres semelhantes a bonescos de pano, com números como nome, lutando contra máquinas gigantescas que se assemelham aos robôs destrutivos da trilogia Matrix. Abaixo, podem ser vistos tanto o curta original quanto o trailer da nova versão.





Alcebiades Diniz Miguel

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Boas Festas aos Nossos Leitores



Aos leitores do Mil Olhos..., uma divertida animação natalina de Terry Gillian e o desejo de boas festas.

Alcebiades Diniz Miguel
Luiz Nazario

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Novas Versões de Metropolis


Metropolis (Metropolis, Alemanha, 1927), de Fritz Lang, o primeiro filme da história do cinema a ser considerado Patrimônio Universal da Humanidade através de seu registro, no ano de 2000, no “Memory of the World” da UNESCO, ganhou, por ocasião de seus 75 anos, a mais minuciosa restauração digital que um clássico do cinema já mereceu. Este que foi o filme mais caro realizado pelo cinema alemão, custando 50 milhões de marcos (ou atuais 200 milhões de dólares, cf. BEYER, Friedemann. Metropolis. Unesco heut on line, 1º jan. 2002) e empregando 37 mil extras, tinha originalmente 210 minutos. Convencido pelos produtores a reduzir sua duração para o lançamento, que se deu a 10 de janeiro de 1927, em Berlim, Lang editou-o para 153 minutos. Mesmo assim, Metropolis fracassou nas bilheterias e, com o tempo, sua versão original se perdeu, assim como a versão editada por Lang.

Até os anos de 1940, circulava uma versão de 120 minutos editada pela Paramount. Em 1984, Metropolis ganhou uma “restauração” problemática por Giorgio Moroder, com 80 minutos e trilha sonora “pop”, que incluía o hit “Love Kills”, de Freddie Mercury e Moroder, cantada por Mercury. Através de um paciente cotejo de cópias, o crítico Enno Palatas realizou uma restauração mais cuidadosa, mas com apenas 93 minutos. Finalmente, em 2002, a Fundação Murnau revisou as cópias das versões sobreviventes nas diversas cinematecas do mundo; recolheu as melhores seqüências de cada cópia; digitalizou as imagens, devidamente tratadas, numa resolução de 2K, e reeditou Metropolis seguindo as indicações dos cartões de censura, dos 800 stills do filme e também da partitura original, encontrada nos espólios do compositor Gottfried Huppertz (com as anotações das cenas para a sincronia). A trilha original foi gravada pela Orquestra Sinfônica da Rádio de Saarbrücken sob a regência de Berndt Heller, e pode assim ser ouvida novamente pela primeira vez desde a estréia berlinense de 1927. Metropolis possuía agora uma duração de 147 minutos, muito próxima da versão originalmente lançada.

Este meticuloso trabalho, um verdadeiro quebra-cabeças, foi coroado com o relançamento de novas cópias do filme em festivais de cinema e o lançamento do DVD Metropolis no mercado mundial pela Kino on Video, nos EUA, e pela Continental, no Brasil. Mas pouco depois de ser assim longamente montado, o quebra-cabeça foi subitamente desmontado. A Fundação Murnau, que detém os direitos do filme e supervisionou a última e mais perfeita restauração, terá agora que despender mais alguns milhões de euros para realizar uma nova e necessária restauração...

É que, em julho de 2008, foi encontrada em Buenos Aires uma cópia em 16mm da versão de Metropolis editada em 1927 por Lang, e dada como perdida. Adolfo Wilson, da distribuidora Terra, levara a cópia para Buenos Aires em 1928 a fim de exibi-la nos cinemas argentinos. De suas mãos, a cópia passou para as do colecionador Manuel Peña Rodríguez, que, nos anos de 1960, a vendeu ao Fondo Artístico Nacional. Em 1992, a cópia foi parar no Museo del Cine Pablo C. Ducrós Hicke, de Buenos Aires. Sua diretora recém-empossada, Paula Félix-Didier, percebeu que a cópia tinha uma duração maior que as versões que conhecia, e a levou à Alemanha, onde, na redação do jornal Die Zeit, três especialistas da Cinemateca Alemã constataram tratar-se da versão lançada em Berlim. O restaurador Martin Koerber reconheceu cenas perdidas, que esclareciam o papel de alguns protagonistas, como o espião que vigia os passos de Freder, e outras que tornavam mais dramática a salvação das crianças dos trabalhadores (cf. Hallan la única copia completa de “Metrópolis” de Fritz Lang, que se encontraba en Buenos Aires. Ñ. Revista de Cultura, 2 jul. 2008).

Como se esta descoberta não bastasse, foi encontrada no Chile outra cópia da versão original de Metropolis. Depois do golpe de 1973, o então diretor da Cineteca de la Universidad de Chile, Pedro Chaskel, mudou os rótulos de algumas películas para evitar que fossem destruídas pelos militares. Metropolis fora um dos três filmes que inauguraram a Cineteca em 1960, juntamente com O gabinete do Doutor Caligari (1919), de Robert Wiene (cuja cópia logo foi roubada da Cineteca); e Napoleão (1927), de Abel Gance (então projetada em três telas simultâneas). Em 2005, Pedro Chaskel voltou a ser o diretor da Cineteca, e preocupou-se em recuperar 800 películas da Fundación “Imágenes en Movimiento”. Em 2006, quando essas películas, contidas em 2 mil latas, retornaram à Cineteca, esta priorizou a busca por filmes dos chilenos: Helvio Soto, Miguel Littin e Raúl Ruiz (de quem se encontrou o primeiro curta-metragem, La Maleta). O restaurador Luis Horta deparou-se então com uma película rara em 9,5 milímetros, com perfurações no meio, impossível de ser exibida nos projetores atuais (o formato era destinado ao consumo privado e foi substituído pelo de 8 milímetros com a falência da Pathé, que o fabricava). Constatou-se, recentemente, tratar-se de uma versão de Metropolis com 170 minutos, similar à do lançamento de 1927. A película será enviada à Fundação Murnau para análises. Algumas das cenas até hoje nunca vistas de Metropolis da cópia de Buenos Aires podem ser vistas em clipes do You Tube:

1. Deutche Welle, Long lost scenes from Metropolis (1927) / Verschollene Szenen Metropolis (1927), reportagem integral.
2. The German Film Magazine, reportagem em: 8’10’’ – 14’15’’].

Como um complemento a esta nova visitação pelos clipes de Metropolis, recomendamos também um raro momento da arte expressionista registrado no clipe filmado da “Dança da Feiticeira” de Mary Wigman [Mary Wigman’s Witch Dance], cuja coreografia sincopada e enlouquecida marcou o gestual mecânico dos operários robotizados (liderados por Heinrich George), do cientista louco (interpretado por Rudolf Klein-Rogge) e de sua mulher-robô (vivida por Brigitte Helm) no mítico filme de Fritz Lang.

Luiz Nazario

domingo, novembro 09, 2008

O Nevoeiro


Recentemente lançado em DVD, O nevoeiro (The Mist, EUA, 2007, 126’) de Frank Darabont, o mesmo diretor de Um sonho de liberdade e À espera de um milagre, adapta outra obra de Stephen King para as telas. Ao contrário das duas outras adaptações, esta é do gênero horror. Numa pequena cidade do Maine, durante uma tempestade, somos apresentados a David Drayton (Thomas Jane), que pinta, em seu ateliê, um quadro que parece retratar o personagem de Clint Eastwood em Três homens em conflito, uma entre outras homenagens que Darabont faz a filmes que foram sua inspiração, como o Enigma de outro mundo. A eletricidade acaba e somos introduzidos ao resto da família Drayton: a mulher e o filho. Pela janela, os três observam a assustadora tempestade elétrica. Na cena seguinte, uma árvore invade o lar dos Drayton, e quebra a fina camada que os distanciava do horror. Após a tempestade, uma névoa branca parece dirigir-se à cidade. David Drayton, seu filho, e o problemático vizinho Brent Norton (Andre Braugher) precisam ir ao supermercado para reabastecer seus lares. E terminam presos ali dentro, cercados que são pela misteriosa névoa que contém estranhos e mortíferos seres.

O nevoeiro é um filme de baixo orçamento. A liberdade do filme B permitiu ao diretor criar uma obra mais complexa, com várias possibilidades de leitura. Grande fã de filmes clássicos de horror e ficção científica, Darabont volta às suas raízes (ele escreveu A Hora do pesadelo 3, A bolha de 1988 e A Mosca 2), retomando várias características das obras que o marcaram, como o elemento trash. Embora não sejam os protagonistas da história de horror, como seria de se esperar, as criaturas criadas por Gregory Nicotero são curiosas e únicas. Infelizmente, elas foram trabalhadas por computação gráfica, o que diminui a veracidade de seu contato com os atores. Os efeitos especiais podem parecer “fracos” para os fãs do gênero.

O que mais parece interessar ao diretor e roteirista é, como nos filmes de George Romero, o estudo de seus personagens e a elaboração de metáforas (como o próprio Darabont afirmou em entrevistas). É possível enxergar o nevoeiro como a mente humana em seu estado mais “enevoado” ou “cego”, povoada por demônios e crendices, que se tornam mais ameaçadores com o passar do tempo. O filme trabalha esta e outras idéias através do estado de confinamento dos personagens, fazendo aflorar o melhor e pior de suas personalidades. Ilhados no supermercado da cidade, com criaturas do lado de fora, eles são princípios com os quais o diretor tece suas críticas sociais.

O filme difere de outros do gênero pela criação dessa teia social que relaciona os personagens: o único negro no filme, apesar de gozar do status social de juiz, é constantemente hostilizado pelos brancos. Darabont não atenua os conflitos humanos em face do conflito homem-monstro, e sim os intensifica, expondo o modo de pensar e agir de cada um em relação ao outro e a si próprios. Interessante também é que em vez de buscar a solução mais fácil, o diretor dá até aos “vilões” uma dimensão humana, já que estes acreditam realmente estar trabalhando pelo bem comum.

O fim do filme, que difere do conto original de Stephen King, causou fortes reações, tanto negativas quanto positivas, pois explicita a visão de um mundo assustador que questiona o “razoável” e as próprias ações humanas. É um filme sobre a materialização dos “monstros” de uma sociedade decadente. Aquilo que parece arbitrário ou randômico ganha uma assustadora lógica. O nevoeiro visa incomodar o público. Nas palavras de Stephen King, o filme “retrata situações políticas e religiosas atuais”, mostrando a impossibilidade da harmonização de universos e crenças diferentes. Darabont não enxerga nenhuma possibilidade de conciliação. Em seu universo, algo terá que ser destruído ou sacrificado, pois o mundo da fé e o mundo da racionalidade não podem coexistir.

José Ricardo da Costa Miranda Júnior

terça-feira, outubro 28, 2008

Novos Títulos em DVD Fora de Catálogo - Setembro de 2008

FORA DE CATÁLOGO

Distribuidora

007 Permissão para matar - Ultimate Edition (DVD Duplo)

Fox

007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro - Ultimate Edition (DVD Duplo)

Fox

007 Contra Octopussy - Ultimate Edition (DVD Duplo)

Imagem

11:14

Califórnia

13 fantasmas

Sony

9º dia

Imagem

A árvore dos tamancos

Versátil

A batalha de Anzio

Sony

A creche do papai

Sony

A ilusão viaja de trem

Versátil

A morte do demônio

Spectra

A patrulha da esperança

Sony

A promessa (2001)

Imagem

Adaptação

Sony

Annie

Sony

Austin Powers – 000, um agente nada secreto

Spectra

Batman Begins (DVD Duplo)

Warner

Bola pra frente

Warner

Cavalgada com o diabo

Imagem

Cidade dos homens - Primeira Temporada

Som Livre

Coleção Bernardo Bertolucci

Versátil

Coleção Martin Scorsese

Warner

Coleção: As crônicas de Nárnia - BBC

Focus

Condenação brutal

Sony

Confissões de uma mente perigosa

Imagem

Coração selvagem

Universal

Dawson s Creek - Primeira Temporada

Sony

Desmundo

Sony

Dispara

Spectra

DOCTV – A selva na selva (DVD-R)

Imagem

DOCTV - Contos da Terra Sagrada (DVD-R)

Log On

DOCTV - Cultura Brasileira - Vol. 1

Log On

DOCTV - Novos Olhares - Vol. 1

Log On

DOCTV – Tocantins - Rio afogado (DVD-R)

Log On

Dragão vermelho

Universal

Escravos do rancor

Versátil

exterminador implacável

Spectra

FIFA fever - Edição.de Colecionador

Focus

Galante e sanguinário

Sony

Guantanamera (Revista + DVD)

Spectra

Harry & Sally - Feitos um para o outro

Fox

He-Man e os mestres – Edição de Colecionador (Lata)

Focus

IMAX - Galápagos

Warner

Lugar nenhuma na África

Califórnia

Madame Satã

Imagem

Magda Tagliaferro - O mundo dentro de um piano

Versátil

Magnólia (1999)

Playarte

Metrópolis (2001) (DVD Duplo)

Sony

Minha vida de cachorro

Spectra

Morango e chocolate

Versátil

No silêncio da noite

Sony

Nunca mais (2002)

Sony

O crime do padre Amaro

Sony

O ilusionista

Focus

O ouro de Nápoles

Versátil

O pássaro das plumas de cristal

Aurora

O talentoso Ripley

Imagem

O último samurai

Warner

Operação Xangai

Spectra

Os Três Patetas - Os ricos riem à toa

Sony

Pão, amor e ciúme

Versátil

Por quem os sinos dobram

Universal

Roma – Primeira Temporada

Warner

Sedução da carne

Versátil

Sem medo de viver

Warner

Spawn, o soldado do inferno

Warner

Studio 54

Imagem

Um amor de Swann

Versátil

Um longo caminho

Sony

Wall Street

Fox